Como Aplicar o Pensamento Sistêmico em Cenários Complexos

Eduarda Porto
Eduarda Porto

Em um mundo cheio de desafios, o pensamento sistêmico nos ajuda a ver tudo com mais objetividade. Ele mostra como as coisas estão ligadas, ajuda a encontrar padrões e nos guia na tomada de decisões conscientes. Com ele, podemos entender melhor os problemas e encontrar soluções mais eficazes para enfrentá-los.

O mundo em que vivemos é intrinsecamente complexo. Seja nos negócios, na natureza ou nas interações humanas, frequentemente encontramos sistemas interligados e interdependentes. Compreender esses sistemas e sua dinâmica é crucial para tomar decisões mais informadas e conscientes. Aí é onde o pensamento sistêmico entra em jogo.

O que é Pensamento Sistêmico?

O pensamento sistêmico é uma abordagem que busca compreender os sistemas em um sentido holístico, ao invés de em partes isoladas. Trata-se de uma mentalidade que reconhece as conexões, padrões e contextos em vez de se concentrar em componentes individuais.

A tabela mostra as diferenças entre o pensamento sistêmico e o pensamento tradicional. FONTE: https://setting.com.br/blog/estrategia/o-que-e-pensamento-sistemico-organizacoes/

A Conexão entre Tecnologia, Design e Pensamento Sistêmico

O design, particularmente o design de experiência do usuário (UX), envolve a criação de soluções que se encaixam nas necessidades dos usuários. A tecnologia, por sua vez, busca desenvolver ferramentas e plataformas viáveis e eficientes que potencializam as habilidades humanas. O pensamento sistêmico ajuda a alinhar esses dois campos, garantindo que as soluções sejam tanto funcionais quanto centradas no usuário.

Por Que Usar o Pensamento Sistêmico em Cenários Complexos?

Cenários complexos são caracterizados por múltiplas variáveis, interações não-lineares e resultados inesperados. A abordagem tradicional de “causa e efeito” pode não ser suficiente para entender esses cenários. O pensamento sistêmico, por outro lado, permite:

  • Identificar relações ocultas entre variáveis.
  • Prever consequências não-intencionais.
  • Reconhecer pontos de alavancagem para intervenção.
  • Identificar novas tendências.
  • Mapear design futuros.

Micro-case de mercado

Nessa imagem, nossa equipe apresenta a estrutura mapeada dos relacionamentos entre a equipe comercial e a de implantação. Foi crucial identificar como era a passagem desse bastão entre as duas equipes buscando maximizar a experiência do consumidor desenvolvendo os serviços com agilidade, comunicação alinhada e prazo enxuto.


Benefícios do Pensamento Sistêmico

O pensamento sistêmico não é apenas uma ferramenta para enfrentar cenários complexos, mas também traz uma série de benefícios para os profissionais.

  1. Visão Holística: O pensamento sistêmico permite ver o quadro geral, auxiliando na compreensão de como as diferentes partes de um sistema se interconectam. Isso é especialmente valioso ao criar soluções de design e tecnologia integradas.
  2. Previsão de Impactos: Ao entender as conexões e padrões, podemos antecipar as consequências das nossas decisões. Isso ajuda a prever efeitos indesejados e a evitar problemas futuros.
  3. Soluções mais Inovadoras: A visão sistêmica estimula a criatividade, já que encoraja a pensar fora da caixa e explorar conexões não óbvias.
  4. Melhorias Contínuas: O pensamento sistêmico favorece a iteratividade, onde as soluções são testadas, avaliadas e refinadas com base em feedback contínuo. Isso leva a melhorias constantes e soluções mais eficazes.
  5. Eficiência em Longo Prazo: Ao adotar uma mentalidade sistêmica, somos mais propensos a considerar o longo prazo, o que leva a soluções mais sustentáveis e escaláveis.

Como Aplicar o Pensamento Sistêmico?

  • Mapeamento de sistemas: Comece desenhando um mapa do sistema. Quais são os principais componentes? Como eles interagem? Esse mapa visual pode revelar conexões e padrões anteriormente não reconhecidos.
  • Pergunte “por quê?” repetidamente: Quando se deparar com um problema ou situação, aplique a técnica dos “5 por quês?” para identificar as causas subjacentes e compreender melhor as relações entre elas.
  • Considere as consequências a longo prazo: Em vez de focar em soluções de curto prazo, avalie as implicações de longo prazo de suas ações.
  • Esteja aberto a feedbacks: Os sistemas estão em constante fluxo. Estabeleça mecanismos de feedback para entender como suas ações afetam outras partes do sistema.
  • Identifique pontos de alavancagem: Em vez de tentar mudar tudo, identifique pontos onde intervenções podem ter impactos desproporcionalmente grandes.
FONTE: https://www.sympla.com.br/evento/oficina-de-pensamento-sistemico-virtual/801413DINÂMICA DE SISTEMAS – desenvolvido na faculdade de administração do MIT (EUA) – a METODOLOGIA ESH de IMPACTO SISTÊMICO oferece uma oportunidade ímpar de desenvolver as COMPETÊNCIAS DO PENSADOR SISTÊMICO e aprender a MODELAR SISTEMAS COMPLEXOS.

Cases de Sucesso

Grandes empresas de tecnologia, como Apple e Google, incorporaram o pensamento sistêmico em suas abordagens de design e desenvolvimento. Ao fazer isso, eles criaram produtos que não apenas são tecnologicamente avançados, mas também oferecem experiências de usuário inigualáveis.

“Hoje, o pensamento sistêmico é mais necessário do que nunca, pois nos tornamos cada vez mais desamparados diante de tanta complexidade. Talvez, pela primeira vez na história, a humanidade tenha a capacidade de criar muito mais informações do que o homem pode absorver, de gerar uma interdependência muito maior do que o homem pode administrar e de acelerar as mudanças com uma velocidade muito maior do que o homem pode acompanhar.”

SENGE, 2016, p. 128

Aqui na Ideativo, o pensamento sistêmico caminha conosco nos projetos. Ele vai desde o entendimento do problema — quais áreas se relacionam, como os sistemas da plataforma se conectam e quem são as pessoas que utilizam. Criamos relacionamentos entre as diferentes áreas e necessidades por meio de organogramas, mapas mentais ou esquemas.

Essas representações visuais se transformam em arquiteturas de informação para sistemas digitais ou na construção de serviços físicos. O interessante nessa aplicação é que todos os envolvidos conseguem visualizar as trajetórias que os usuários podem adotar e identificar os agentes internos que atuam para viabilizar a experiência de um serviço.

Nesse case de mercado, lidamos com diferentes perfis e funcionalidades, cada um deles com necessidades específicas. Portanto, criar fluxos de navegação para cada necessidade é importante para construir uma condução adequada a cada perfil.

Separamos os fluxos de onboarding, cadastro, participação do aluno na sala de aula e pagamento. Podemos observar que cada fluxo é independente, mas ao mesmo tempo está conectado em alguma medida. Tudo deve operar em perfeita harmonia para que o cliente desfrute de uma experiência fluida e sem interrupções.

Ter essa estrutura mapeada e alinhada com toda a equipe faz com que o processo seja enxergado de maneira sistêmica e padronizada entre os stakeholders. A visualização estruturada auxilia nos ajustes ou, até mesmo, na eliminação de etapas desnecessárias. Além de fornecer estrutura ao sistema, proporciona eficiência em toda a cadeia de atendimento ao cliente.

Ter o pensamento sistêmico aplicado no desenvolvimento de produtos incríveis é uma peça fundamental para um negócio sustentável.

Conclusão

Ao lidar com cenários complexos, a abordagem linear tradicional pode não ser adequada. O pensamento sistêmico oferece uma alternativa poderosa, permitindo-nos ver o “quadro geral”, identificar padrões e tomar decisões mais conscientes. Como qualquer habilidade, ele exige prática e paciência, mas os benefícios são profundos – uma compreensão mais rica e aprofundada dos desafios e oportunidades que enfrentamos. O pensamento sistêmico é mais do que um conceito: é uma maneira de pensar. Ao adotá-lo, podemos criar soluções mais integradas, eficientes e centradas no usuário, definindo o padrão para o futuro da inovação digital.


Quer aplicar esse processo na sua empresa?


Dicas de leitura

As Leis da Simplicidade: Vida, Negócios, Tecnologia, Design
John Maeda, em sua obra “As Dez Leis da Simplicidade”, explora a importância da simplicidade como uma tendência dominante na era digital. As Leis da Simplicidade proporcionam uma leitura esclarecedora sobre as direções que a indústria e o mundo dos negócios estão tomando, com impacto direto no cotidiano das pessoas.


The Elements of User Experience: User-Centered Design for the Web and Beyond
“The Elements of User Experience” de Jesse James Garrett é uma referência essencial para designers de web e interação. O livro destaca a importância de equilibrar objetivos estratégicos com as necessidades dos usuários, fornecendo uma visão abrangente do desenvolvimento da experiência do usuário, desde a estratégia até o design visual.


The Circular Economy: A Wealth of Flows
A economia circular é um modelo que tem implicações profundas em áreas como produção, emprego, educação, dinheiro e finanças, e também requer mudanças na política pública e na tributação. Sua vantagem econômica está em eliminar o desperdício, promover o acesso em vez da posse e impulsionar uma produtividade eficiente dos recursos.


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